Professor ganha mal? | Balaio de Ideias.

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Neste episódio discutiremos o artigo “Professor ganha mal?” do economista Cláudio de Moura Castro publicado na revista Veja em julho de 2016.

Referências
[1] Desempenho em Leitura: https://data.oecd.org/pisa/reading-performance-pisa.htm; Desempenho em Matemática: https://data.oecd.org/pisa/mathematics-performance-pisa.htm; Desempenho em Ciências: https://data.oecd.org/pisa/science-performance-pisa.htm.
[2] http://www.edefficiencyindex.com/book/
[3] http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/06/professor-estadual-com-licenciatura-ganha-em-media-r-1695-por-hora.html
[4] https://data.oecd.org/eduresource/teachers-salaries.htm#indicator-chart
[5] https://data.oecd.org/eduresource/public-spending-on-education.htm#indicator-chart
[6] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm#art57

Categoria: Balaio de Ideias.
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Veja também:


2 resposta(s) para "Professor ganha mal? | Balaio de Ideias."

  1. Frederico Pereira disse:

    Professor ganha pouco, muito ou mais ou menos?

    Eis ai uma pergunta cuja resposta depende de muita coisa. Não darei, em princípio, os nomes de pessoas ou de locais, mas citarei fatos, rigorosamente verdadeiros, em apoio ao que vou dizer, mais adiante.

    Numa escola de ensino fundamental do interior do nordeste pedi a oito professoras, que participavam de um curso, que escrevem uma definição de “sistema”. Dez minutos se passaram e nenhuma delas conseguiu escrever uma linha sequer. Diante do meu espanto uma delas perguntou: “mas, professor, o que a gente vai escrever?”

    Numa outra escola, da mesma região brasileira, verifiquei que várias crianças da quinta série não sabiam dizer o que é o zero. Até ai tudo bem. O que me surpreendeu é que a professora de matemática também não sabia.

    Numa outra escola professoras não sabiam a diferença entre número e algarismo. Muito menos critérios de divisibilidade. Professoras de português dizem “pra mim fazer”. Um professor do ensino médio, numa reunião com os pais dos alunos pediu a palavra e, lá pelas tantas, soltou um “a gente vamos”. Um pai de aluno comentou com outro: “veja nas mãos de quem entregamos os nossos filhos”.

    Um cidadão mineiro, que foi morar no nordeste tornou-se amigo do prefeito e, faz alguns anos, conseguiu empregar como professora de inglês uma sobrinha que não fala inglês e só tem o ensino médio.

    Um diretor de escola, evangélico, pediu ao professor de História que ensinasse a sua disciplina “sob uma perspectiva evangélica”. O professor de História até não sabe o que é isso. Os critérios pelos quais os voluntários para programas do tipo “Mais Escola” eram escolhidos eram os do compadrio, vinculação religiosa ou política. Nunca pelos de mérito ou competência.

    Numa prova do curso de aperfeiçoamento de professores de matemática do ensino médio, realizado pelo INSTITUTO DE MATEMÁTICA PURA E APLICADA, só doze por cento dos professores conseguiu resolver questão que envolvia conceitos do ensino fundamental.

    Confiram em:
    https://www.youtube.com/watch?v=t2Pu91l6aNE

    A consequência desse estado de coisas é que alunos que chegam à terceira série do ensino médio não conseguem resolver questões elementares, em todas as disciplinas. São analfabetos funcionais e assim chegam às universidades.

    Salta aos olhos que EXISTEM PROFESSORES E PROFESSORES. Desse modo não se pode, por exemplo, comparar os professores do Colégio Militar de Porto Alegre, por exemplo, com professores iletrados de muitas escolas brasileiras. Como comparar um professor do Colégio Pedro II, como o foi o famoso Aurélio Buarque de Holanda, autor do conhecido dicionário que leva o seu nome, com um professor que não consegue escrever três linhas de texto sem agredir o vernáculo?

    Para professor iletrado ganhar salário mínimo já está de bom tamanho. Como comparar o salário de um professor de uma escola pública da qual saíram três presidentes da República do Brasil com professor de escola montada para “produzir fracassados” que se submeterão à exclusão e aos baixos salários gerados pelo sistema da “globalização”? Podem todos ganhar a mesma coisa?

    Há que se atentar para a relatividade das coisas. O Brasil é um país desigual. Eu olho a declaração de renda de uma professora de creche de um município nordestino e vejo que ela recebeu como rendimentos de pessoa jurídica em 2015 mais de 42 mil reais. É muito, é pouco? Ou estará de acordo com os padrões normais? Depende. Comparado com o salário de quem ganha salário mínimo pode ser muito. Em contrapartida, comparado com o de um professor que tenha feito graduação, mestrado e doutorado na USP pode ser pouco. O que fazer? Dar o mesmo salário para ambos?

    Vejamos o caso dessa professora de creche que, no meu modo de ver, deveria ser altamente bem preparada, para lidar com as crianças. Trata-se, todavia, de pessoa que passou os trinta anos iniciais da vida trabalhando na roça e um dia foi morar na cidade grande, onde resolveu ser professora. Fez o curso numa dessas instituições privadas que dão diplomas a qualquer pessoa, desde que pague as mensalidades, e virou professora, mesmo nunca tendo lido um livro na vida, sendo pessoa bastante limitada, que mal consegue escrever três linhas de texto.

    Tem instituições tão ruins quem nem são avaliadas pelo MEC. Não obstante dão cursos de pedagogia e magistério. Aliás, é comum encontrar pessoas que se dizem formadas em pedagogia que não sabem dizer o que é pedagogia. Como colocar no mesmo patamar esses “pedagogos” e o cearense Lauro de Oliveira Lima ou o paulista Vitor Henrique Paro?

    Muitos professores se consideram uma espécie de “sacerdotes”, acima do bem e do mal. Não aceitam críticas e logo se levantam, aguerridamente, contra qualquer pessoa que não lhes massageie o ego. Para não dizer que só falei do nordeste direi que no Rio de Janeiro, vendo um menininho que estava chorando no corredor da escola, perguntei-lhe por que chorava. Um jovem professora apressou-se em responder, alto e bom som: “ele está de castigo porque é um IDIOTA e não quer participar das brincadeiras com as outras crianças”. Seria então o caso de se perguntar: quanto merece ganhar essa professora?
    Em São Paulo converso com jovens, até formados, sem qualquer cultura, desconhecendo coisas básicas. Em que escolas obtiveram os seus diplomas? Quem foram os seus professores?

    Vamos valorizar os professores, mas é preciso que os bons professores, antes de tudo, valorizem a própria categoria, impedindo o acesso dos maus professores às salas de aula.

    Naturalmente que os graves problemas que envolvem o ensino no Brasil não poderão ser resolvidos no interior do contexto escolar. Sem atentar para os aspectos econômicos e políticos da questão eles não irão muito longe.

    1. Luiz Aquino disse:

      Olá Frederico, para atrair os bons professores precisamos oferecer uma carreira atrativa. Eis um problema! A desvalorização da carreira de professor só vem acentuando ao longo dos anos. Por exemplo, infelizmente não é de se estranhar que uma pessoa com aptidão para Exatas prefira fazer um curso de Engenharia do que um curso de Licenciatura em Matemática ou em Física.

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